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Autor: Dr. Pablo González Blasco, diretor científico da SOBRAMFA
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Naltrexona e intervenções comportamentais reduzem dependência do álcool |
Questão Clínica: |
| Quais intervenções são mais efetivas no tratamento da dependência etílica? |
Resumo: |
| A naltrexona e as intervenções comportamentais combinadas feitas por especialistas são igualmente efetivas no tratamento de curto prazo (16 semanas) da dependência do álcool etílico. Esse estudo não encontrou evidência de eficácia do acamprosato isolado e nem diferença de eficácia adicional para as combinações de naltrexona, acamprosato e intervenção comportamental. Os efeitos benéficos da naltrexona e da intervenção comportamental em comparação com outras intervenções não foram significativamente diferentes após um ano. Os médicos de atenção primária que desejam ajudar seus pacientes dependentes de álcool podem esperar um sucesso igual no curto prazo prescrevendo naltrexona ou encaminhando para uma intervenção especializada. Ainda são necessários tratamentos efetivos para melhorar os resultados no longo prazo. |
Nível de Evidência: |
1b (artigos relativos a terapias, prevenção, etiologias ou danos) |
Referência: |
| Anton RF, O'Malley SS, Ciraulo DA, et al, for the COMBINE Study Research Group. Combined pharmacotherapies and behavioral interventions for alcohol dependence. The COMBINE study: A randomized controlled trial. JAMA 2006;295:2003-2017. |
Desenho de Estudo: |
| Ensaio clínico randomizado controlado (duplo-cego) |
Distribuição da Amostra: |
| mascarada |
Casuística: |
| Pacientes ambulatoriais (quaisquer) |
Discussão: |
| As intervenções comportamentais e pelo menos duas medicações - naltrexona e acamprosato - são efetivas no tratamento da dependência do álcool. Ainda não se sabe se a combinação da fármaco-terapia com a terapia comportamental melhora os resultados. Esses pesquisadores distribuíram aleatoriamente (por processo mascarado) 1383 adultos (428 mulheres e 955 homens; idade média de 44 anos) que se encaixavam nos critérios do DSM-IV para dependência ao álcool para serem incluídos em um de nove grupos durante 16 semanas de tratamento ambulatorial. Oito dos grupos receberam tratamento médico e uma intervenção com nove sessões de 20 a 45 minutos de duração que se enfocava na adesão à medicação e na abstinência. Quatro desses grupos também receberam um aconselhamento mais intensivo, consistindo de sessões entre 20 e 50 minutos administradas por especialistas em tratamento do alcoolismo. Os pacientes de todos os oito grupos receberam naltrexona, acamprosato, placebo ou acamprosato com naltrexona. A naltrexona foi administrada uma vez ao dia, começando um 25 mg e titulada até 100 mg, na medida do tolerado. O acamprosato foi administrado como 1.000 mg 3 vezes por dia. O nono grupo recebeu somente a intervenção comportamental intensiva, sem medicações ou as sessões sobre a adesão e abstinência. Todos os participantes foram submetidos a avaliações regularmente durante um ano após o recrutamento. Os pesquisadores que avaliaram os resultados permaneceram cegos à distribuição do grupo de tratamento. O seguimento foi efetivo para 94 % dos pacientes após 16 semanas e para 83% após um ano. Os níveis séricos de transferrina serviram com prova de veracidade para o consumo relatado. Todas as análises foram por intenção de tratamento. Durante o tratamento, os pacientes que receberam naltrexona com gerenciamento médico, terapia cognitiva com o gerenciamento médico ou tanto naltrexona como terapia cognitiva com gerenciamento médico tiveram uma porcentagem significativamente mais alta de dias de abstinência do que os que receberam placebo ou somente o gerenciamento médico (77 % - 81% versus 75%). A naltrexona também reduziu de maneira significativa o risco de dias de etilismo pesado. A combinação entre naltrexona e terapia comportamental não foi significativamente melhor do que qualquer uma das duas isoladas. Não foram encontradas diferenças significativas em quaisquer resultados para o acamprosato em comparação com o placebo. Após um ano de seguimento, entretanto, não houve diferença significativa entre os grupos em qualquer um dos resultados medidos, incluindo os dias de abstinência e o risco de retorno ao etilismo pesado. |